Era pra ser apenas mais uma saída pro almoço. Quase sempre o mesmo caminho, mesmos comércios de rua. Mas naquele dia o universo conspirou para que nesse pequeno trajeto de 15 minutos caminhando da empresa até o restaurante coisas acontecessem.

E eu já explico do que estou falando: esse pouco tempo foi suficiente para eu aproveitar a caminhada e dar aquela pensada na vida. Nesse caso, na vida dos comerciantes de rua e avaliar como as estratégias de outbound marketing são super comuns hoje ainda e com eficácia duvidosa. Já tinha lido muito sobre isso, mas nada como uma demonstração prática e um pouco de reflexão, não é?

Vamos aos fatos. Vou compartilhar aqui algumas cenas que vi naquele dia.

1. O locutor, a caixa de som e a loja

Estava passando pela calçada quando escuto aquela propaganda de preços. Era uma loja de acessórios para celular e o som estava bem alto (era um mix de músicas e locução de um homem que ficava na frente da loja com um microfone), incomodando um pouco até. E aí sempre rola aquela interação quando se está a alguns metros da loja: “e aí, moça, dá uma passadinha, vamos aproveitar…”. Oi? Realmente nunca li nada sobre a efetividade dessa estratégia especificamente, mas, pra mim, tem um efeito meio contrário: eu atravessei a rua.

Eu podia estar passando por ali por vários motivos, como saber que naquele dia minha vontade era comprar algo para o meu celular? A gente sabe o quanto é complicado conseguir acertar alguém no meio da multidão. Ou seja, algo mais outbound que isso, impossível. Tentaram me empurrar um produto sobre o qual eu não tinha o menor interesse e, ainda que tivesse, a caixa de som e o locutor dando boas-vindas não me atrairam muito.

2. Vendedor de CD

Se fosse o clássico “vendendo a minha arte na praia”, talvez tivesse um apelo a mais. Mas não, era um vendedor de CDs que tentava emplacar sua música abordando as pessoas nas ruas centrais. Eu vejo ele há alguns anos já, mas naquele dia observei um pouco mais enquanto via as pessoas meio que tentando escapar dele, infelizmente, todo mundo está correndo hoje em dia. Um garoto com uma fisionomia meio chateada e balançando a cabeça em sinal de não me chamou a atenção.

Pensei que o cara podia ser um baita artista, sendo ignorado simplesmente por ter escolhido a estratégia errada. Por que não disponibilizar seu trabalho em canais digitais, por exemplo? Fazer ações para que as pessoas pudessem conhecer sua música por vontade própria e, quem sabe, comprar um CD em uma loja on-line. Segui meu rumo (depois de também dar aquela desviada porque estava com pressa).

3. Boneco assustador na frente da loja infantil

Essa me assustou um pouco, imagina as crianças! Uma loja de roupas infantis teve a ideia de usar alguém fantasiado de boneco Fofão (lembram?) para ficar na calçada interagindo com os pais e a criançada. Gente, achei que faltou empatia por parte da loja. Não é tão legal assim estar andando na rua tranquilamente segurando a mão do seu pai quando de repente… Tcharãm, aparece esse boneco em tamanho real falando com você. E nem adianta distribuir doces, amigo, não cola. Atravessei a rua de novo. Sem contar que isso pega meio mal para a marca também. Com tanta oferta disponível, os consumidores podem ser muito mais seletivos. Você não quer ser lembrada como aquela loja infantil que assustou as crianças, quer?

Esses são só alguns exemplos que apareceram na minha frente em apenas 1 quilômetro, sem precisar procurar muito. Agora, você imagina quanta gente hoje em dia ainda aposta nesse tipo de estratégia? Já parou para pensar se elas realmente trazem algum resultado? Quero dizer, você já entrou em alguma loja porque tinha um cara com microfone na porta te pedindo para entrar? Ou seja, ainda adotar esse modelo de marketing tradicional em alguns casos pode jogar contra a marca. Veja um post nosso e saiba mais sobre as diferenças entre inbound e outbound leads. Se já passou por alguma experiência parecida compartilhe com a gente!