Eu estava no primeiro ano da faculdade de Jornalismo. As provas eram sempre uma espécie de desafio do textão, a gente precisava escrever muito mesmo. Numa delas, de Sociologia, eu me empolguei, escrevi como se não houvesse amanhã e realmente achei que tinha arrasado.

 

A prova voltou cheia de rabiscos, a nota não era das piores nem das melhores, mas o que me chamou atenção foi uma anotação da minha professora. Ela puxava uma flecha da palavra paradigma e me perguntava:

 

Camila, o que é um paradigma?

Menos é mais: dicas para escrever um bom texto

 

Ela sabia o que era, mas eu não. E a danada queria fazer eu me dar conta disso (e conseguiu!). Eu usei a palavra porque achei que ela daria um peso a mais no meu texto, que ele ficaria mais complexo e, por isso, teria mais credibilidade.

 

Sabe de nada, inocente.

 

O “escrever difícil” só por escrever nunca funciona. Em nenhum momento eu parei para pensar melhor no significado daquela palavra e se ela fazia sentido com o resto do meu texto. Fiquei até com um pouco de vergonha quando recebi a prova, mas nunca esqueci daquela pergunta.  

Ainda não sei o que é um paradigma

Claro que depois da chamada de atenção da minha professora eu fui atrás do dicionário e é provável que na época tenha entendido o tal do paradigma. Mas até hoje quando preciso usar essa palavra dou aquela travada e tenho que pensar com calma pra relembrar o conceito.

 

O que quero dizer é que não tem problema não conhecer determinado termo. Nossa amada, salve, salve língua portuguesa é super complexa, rica e cheia de palavras diferentonas. Então, na dúvida, não arrisque e vá naquilo onde você já tem segurança.

 

Dica: seu vocabulário só cresce se você der comidinha pra ele. 🙂 Leia, leia, leia!

 

Mas por que lembrei dessa história? Porque hoje, com a escrita fazendo parte da minha rotina há quase 10 anos, eu vejo muitos textos assim. Na inocência de querer impressionar ou às vezes por realmente não entender muito bem o que aquilo significa a gente complica as coisas.

 

E o meu pedido é:

Menos é mais: dicas para escrever um bom texto

 

Todos os dias recebo muitas comunicações e é impossível não ser meio julgadora às vezes. Especialmente na comunicação escrita temos que ter um cuidado redobrado. Quem está lá do outro lado lendo não pode saber a cara que você fez naquela frase pra sua crítica parecer menos ruim ou a entonação com que pediu aquele relatório.

 

Você precisa ser muito claro porque o texto é seu único recurso naquele momento.

 

A seguir compartilho algumas dicas para escrever um bom texto.

O objetivo é ser entendido, não complexo.

Dá uma olhada nessas duas versões de texto que querem comunicar exatamente a mesma coisa.

 

Versão 1:

Gostaria de pedir que fosse feito o envio das informações onde constam os dados levantados durante o mês para os relatórios de resultados produzidos na data subsequente e posterior envio aos responsáveis.

 

Versão 2:

Precisamos receber no dia 30 os dados referentes ao mês anterior.
A partir deles, vamos produzir o relatório e enviar a você até o dia 10 de cada mês. Podemos seguir assim? 🙂

 

Ufa! Bem mais simples e fácil de entender, né?

 

Na versão 2 do texto a linguagem é simples e acessível, existe uma proximidade bem maior do leitor (emoticon é simpatia :)) e a pergunta é pra garantir que a pessoa do outro lado entendeu o combinado na mensagem. Pra terminar, outro elemento do qual sou muito, muito fã.

Frases curtas <3

Quando você reler seu conteúdo e perceber que ele está meio confuso, difícil de entender, uma dica para escrever um bom texto é dar uma conferida no tamanho das frases. Às vezes a mesma frase divida em 2 ou 3 partes já muda completamente a compreensão do conteúdo. Facilite a vida do leitor. 🙂

Ser simples não é ser descolado

Não é porque você está escrevendo de um jeito mais simples e acessível para a sua persona ou seu cliente que você vai ter que usar gírias, memes, abreviar palavras ou usar emoticons o tempo todo. A linguagem que faz mais sentido para cada público e veículo precisa ser respeitada sempre.

 

O que não precisa acontecer também é você escrever de um jeito extremamente complexo só porque aquele veículo parece ser mais serião. Mesmo que o estilo de comunicação seja mais sisuda, isso não significa que as pessoas que leem aquele conteúdo não merecem um texto acessível, em que elas possam entender a essência da mensagem na primeira leitura.

 

Lembre-se sempre: a prioridade é o leitor, mesmo que o texto tenha ficado ótimo pra você, se ele não entender, não adiantou de nada.

Escrevendo um e-mail

Uma vez fiz estágio em uma empresa em que precisava falar com frequência com os sócios. Como era raro eles ficarem no escritório e eu precisava da aprovação deles para várias coisas eu me comunicava bastante por e-mail.

 

Sempre fui de escrever bastante, então meus e-mails eram meio longos. Como eu não estava próxima deles, queria deixar tudo muito bem explicado pra que só com a minha mensagem eles pudessem entender a situação toda.

Bom, claro que eles eram super ocupados. Aí o que acontecia é que eu escrevia e-mails gigantes, muitas vezes com mais de uma pergunta, e o retorno deles era o seguinte:

 

Ok.

 

“Ok?”, eu pensava comigo. Primeiro que eu tinha feito uma pergunta que não pedia uma resposta de “sim ou não” e outra que tinha mais de uma dúvida no texto. Era “ok” pra qual será? Bem, eu tinha um objetivo com meus e-mails que não estava sendo atingido. Eu enviava e depois precisava confirmar a informação com eles pessoalmente. Nessa época eu ainda não conhecia a técnica de…

Fazer uma pergunta por vez

Alguns recursos de redes sociais como o WhatsApp já facilitam a resposta de várias perguntas, é possível selecionar só uma mensagem e respondê-la. Mas no e-mail essa função ainda não existe, então é melhor ser mais objetivo naquela comunicação com o cliente do que depois ficar sem entender pra qual pergunta foi o “ok” dele. Caso você realmente precise tirar várias dúvidas em um mesmo e-mail, deixe elas em tópicos que aí fica mais fácil pra visualizar e responder.

 

Dica amiga: instale o Boomerang para o Gmail e agende seus e-mails. Menos risco de enviar e-mail pro cliente errado sem querer. =)

Olaaaar

A internet e principalmente as redes sociais trouxeram uma dinâmica bem diferente pra comunicação. Estando on-line você pode quebrar o protocolo e mandar um gif ou emoticons para aquele cliente mais brincalhão. Mas também precisa entender aquele outro que não é tão descolado.

 

O mais importante é entender a linguagem da pessoa que está lá do outro lado e tentar se aproximar dela. Assim, a comunicação fica muito mais pessoal, simpática e você consegue se aproximar do seu leitor. Claro que nada disso livra você da responsabilidade de escrever corretamente, reler os e-mails antes de enviar e fazer uma revisão de gramática e ortografia.

Não grita!

É bem comum eu receber e-mails de pessoas que eu até já conheço (por isso sei que elas são gente boa) usando trechos em caixa alta. Às vezes é o descuido de manter o Caps Lock ativado e aí faltou a revisão antes de enviar , mas a explicação que eu mais ouço (sim, porque esse é um assunto que discuto com as pessoas hehe) é que elas queriam dar um destaque para aquele trecho da frase.

 

Existem outros elementos que podem ajudar a destacar alguma parte do conteúdo, como o negrito e o sublinhado, por exemplo. Caixa alta, na minha visão, além de ficar meio deselegante no meio texto sempre dá a impressão de que a pessoa está gritando comigo.

Essa minha pergunta aqui é uma pergunta muito pergunta mesmo, sabe???

Outro erro bem frequente é o excesso de pontos de exclamação e interrogação com a mesma desculpa da caixa alta: querer reforçar a mensagem. Não é necessário e, mais do que isso, está errado. A exclamação já representa o ato de exclamar alguma coisa, repetir esse sinal é redundante.

 

A mesma coisa vale para o ponto de interrogação que já é um sinal para indicar uma pergunta. Colocar dois deles fica feio e você também vai estar em desacordo com a nossa gramática.

Escrevendo um post

Tem dia que o trauma da folha em branco bate forte. Horas olhando pra tela do computador e nem uma mísera frase que preste. Nessas horas, se der, eu parto pra outro texto ou outra atividade que não exija tanto da minha criatividade naquela hora. Se não der, eu faço algumas coisas que me ajudam e talvez possam te ajudar também.

Listas funcionam

As listas, além de funcionarem nos posts, são bem úteis também para organizar as ideias. Por exemplo, se preciso fazer um texto sobre dicas para e-mail marketing, eu procuro listar em tópicos (pesquisar por referências ajuda também) tudo o que eu gostaria de falar naquele texto. Depois, eu só vou preenchendo esses tópicos com o conteúdo.

Título é o começo do fim

Tem gente que começa o texto pelo título, mas eu prefiro deixar essa parte pro final. O título precisa ser um resumo de tudo o que você abordou no texto e criar ele antes pode fazer com que ele não combine muito com o conteúdo depois.

 

Parada importante aqui: o texto sempre precisa cumprir a promessa feita no título. Se no título você disse que ia apresentar 5 bancos de imagens gratuitos, faça isso. 🙂

Não insista

Ficar muito tempo parado em cima de um parágrafo que não está saindo do lugar, além de desgastante, é ineficiente. Quando isso acontece, eu dou uma lida em coisas aleatórias, uma passeada pelas redes sociais, pesquiso mais referências pro conteúdo… enfim, algo que me faça sair um pouco daquilo. Normalmente quando volto as ideias fluem melhor.

Dê asas pro seu texto

Eu sei que quando a gente escreve um texto existe um certo apego com o bichinho depois de pronto. Mas é super rico compartilhar o texto com alguém pra pessoa dar uns pitacos. Se ela estiver distante daquele assunto, melhor ainda! Porque aí vai poder te dar uma opinião bem sincera.

 

Além disso, peça pra outro colega revisar o conteúdo. Quando escrevemos, nosso olho fica meio viciado e já não vê mais os erros.

Menos é mais: dicas para escrever um bom texto

 

Eu sei que a nossa gramática não é das mais fáceis e que são muitas regras e muitas exceções, mas escrever da forma correta é uma responsabilidade e uma forma de demonstrar que você colocou um carinho naquilo, que se preocupa com o seu leitor.

 

Por isso, separei alguns erros bem comuns de escrita no trabalho.

 

  • Caixa alta: é nome de uma pessoa, de uma rua, de um país? Na dúvida, não use caixa alta.

 

  • Crase: só antes de palavras femininas, nunca antes de verbo, sempre antes de horas.

 

  • Anexo(s), anexa(s), não “em anexo”.

 

  • Por que você não foi pra aula?
    – Você não foi pra aula. Por quê?
    – Eu não fui pra aula porque me atrasei.
    – Queria entender o porquê de você não ter ido pra aula.

 

  • Haver no sentido de existir é sempre no singular.

 

  • Caiu acento de: voo, deem, perdoo, abençoo.

 

  • Há dois anos atrás. Certo é Há dois anos.

 

  • Evite através. Use “por meio de”.

 

  • Daqui a pouco, não daqui pouco.

 

  • Senão = caso contrário. Se não = condição.

 

Escrever pode ser um baita desafio mas, assim como em tantas profissões, a prática e, nesse caso, a dobradinha leitura + escrita podem te ajudar muito. E já que o assunto são dicas para escrever um bom texto, veja como o nosso cliente venceu o medo de escrever.